domingo, 12 de setembro de 2010

A Ausência Desincorpora

A Ausência desincorpora - e assim faz a Morte
Escondendo os indivíduos da Terra
A Superstição ajuda, tal como o amor -
A Ternura diminui à medida que a experimentamos.
Emily Dickinson

sábado, 11 de setembro de 2010

Laranja (Tom meio Gadú)

Da janela..
Ombros postos ao encosto de madeira e
o olhar fitando o céu.

E nas mazelas,
suspira a menina em, seu pranto
Emudecido pela beleza do azul.
Até parecem algodão, mas
são apenas nuvens. Ou,
mesmo são algodão.

Cousa essa, sem necessidade de nome
Que dá ao pensador seus melhores acalantos...
Cura as chagas de um simples,
“complexo” coração.
Faz da menina e janela, foto
Para cartão postal.

E lá se vai o tempo, as nuvens
correm com o vento, e o “laranja”
faz ficar um pouco mais.

Ao som de esperanças fica a moça, um pouco mais.
O breu toma conta e, emudece duma beleza, a menina
Da janela.

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

O Tic-tac das horas

E nessas horas em que o
tempo perdura em não passar,
Fecho meus olhos!
Vejo a escuridão,
ponteiros tortos no compasso do mesmo
Tic-tac.
O movimento pendular faz-me
adormecer com o doce gosto da calma.
Deixo-me serena a ponto de ter
os batimentos no mesmo tic-tac das horas.
Faço-me ponteiros tortos, passo pelo
tempo e deixo
passar!

sábado, 14 de agosto de 2010

que seja ALMA!

Falando das flores me lembrei que
Como uma rosa, posso ter os espinhos que vão te machucar.

Mesmo que a lágrima percorra tua face só por uma vez,
Eu vou te machucar!

E toda angústia causada, tão futilmente,
por nossas brigas, passará de gélida a hálito quente
como o suspirar de um bebê.
Você que não admite, eu que não aceito a omissão!

Meu devaneio faz-se de mim morada indeterminada.
Ao ver tantos livros, tantos poetas escrevendo um caso ao acaso,
lembrei que dói o meu peito por não ter aqui, e agora
aqueles que fizeram forte e ajudaram-me a escrever as melhores estrofes da minha história.
O fio da meada, o beat da beata, times and times.
Meus olhos que ardem afrontando o sono que pesa como o mundo em minhas costas.

O Achar demais, de coisas tão pequenas, engrandece aquilo que ora é o sopro nas narinas do homem, ora tão invisível e perceptível quanto o vento, que seja ALMA!

Falando das flores, senti Le Parfum
Da rosa que vestiu-se com o vermelho do teu sangue,
E mesmo que não sendo eu,

Te Machucou!

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Até o Acaso

Descobri que o Acaso
pode ser um ponto de encontro,
qualquer parte que me toca ou
o caminho que me leva
Até você!

Todas essas casualidades
tão silenciadas pela minha displicência
Traduzem o idioma do qual
poucas palavras aprendi.

Amor...

Batimentos já pela garganta,
o desequilíbrio que me toma e
a vontade de tornar o toque Real
Outra vez...

Meus movimentos perdem-se
por mera distração, no
Vão do tempo
Que já passou.
Se foi...
E agora?

Até o Acaso!

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Notícias Populares

Gostaria de entender
Por que tudo é assim.
Por que a vida tira um sarro,
Por que os olhos congelam ao ver
Notícias Populares.


Elas vivem conosco, normalmente,
estão lá enquanto tomamos café.
- O Velho jornal em cima da mesa!

Minha prece, já apressada
se acaba antes mesmo que eu a termine.
Interrompo meu pensamento para
socorrer, a pobre menina que grita
ao entrar na Igreja...Dizendo: - Mamãe,
Mamãe, o padre...padre...soluçava!


São essas que voam pelos ares,
"Notícias Populares".


Enquanto tudo se acada em "Arruda",
Já não há mais defesa que acuda.
Aquela gente nas calçadas frias, será que dormem?
Ou será que seu sono é pra
enganar a dor que, pouco a pouco,
Mata?!


Já é normal falar...
Que o bom mesmo é roubar.
Todos fazem isso conosco e,
sobra-nos, somente, o asco!

Olho o noticiário, na tela
Pessoas brigando, mães chorando
padres pregando e também ...hun...(entreaspas).

Mato-me por não querer crer,
que já passou a ser normal.
Normal...Norma...Não Mais!
Meus queridos irmãos, pensadores
idealizadores de uma nova sociedade,
de um novo aprendizado.

Loucos! Isso que são! Loucos!

Enquanto os normais, meros normais!
Transformam a Pobreza em Rotina!
Falam mal da Argentina,
Fazem de Santo o Papa...
e cada vez tomam mais tapas.
Falam mal do Zé do Caroço,
tentam se fazer de Bom Moço.
E com isso a prece fica mais rápida,
Padre, João, Zé, Por todos Nós, God, Maria, Papa!
Já não aguento essa ladaínha.

Desligo a TV, apago o Noticiário
Boa Noite!

quarta-feira, 26 de maio de 2010

Uma Andorinha na Capa

Ah! Seria tudo tão melhor se tivesse
comigo, agora, algumas palavras da língua magiar.

Ter as expressões mais marcantes
daquelas faladas em Pest,
na casa 84.

Se as tivesse, húngaras, belas, brancas...
Poderia assim expressar meu
Amor por você.

Infelizmente o que me sobra
são alguns forintes que,
para utilidade nenhuma usarei.
Um maço de cigarros Feckse, com uma andorinha na foto.
Ela já está por se apagar!

Espero que não morra, mesmo que na caixa
Como deixei que morressem, lentamente, minhas esperanças.
Deixei-as em Budapeste e trouxe somente o sotaque!