sábado, 9 de outubro de 2010

Cazuza(mor)

Todo amor que houver nessa vida
darei-lhe sem pudor.
E, como sempre, não sei explicar a gostosa
sensação do sol, vazando pelas frestas e esquentando-nos
a pele
Numa manhã onde acordam as almas, cansadas,
da noite que não sessou.

O gosto do beijo, o desenho nas costas
e o calor desmedido explicando que, um mais um
continua sendo um só.

E talvez, nada mais gostoso que
ter a cabeça sobre teu ombro, tua
voz a me falar:
- Eu tenho a sorte de um amor tranquilo!

Digo 'talvez', por lembrar-me do
inferno e céu que faz teu amor
das minhas noites, sem pudor, artistas no nosso convívio.

Sem monotonia.

domingo, 19 de setembro de 2010

Some years ago.

Lembro bem, agora, de minha
infância. Quando sacudia-me a trepar entre
as folhas e flores no jardim.
Meus amores, todos tão perfeitos!
O dono da confeitaria a moldar um
belo sonho. Mamãe que esquentava a barriga
beira ao fogão. Meus olhos, entreabertos, com medo do escuro!
E, rapidamente, tudo esvai-se como areia entre meus dedos.
Não há como voltar, num filme onde a protagonista sou eu.
Meus momentos de criança!

domingo, 12 de setembro de 2010

A Ausência Desincorpora

A Ausência desincorpora - e assim faz a Morte
Escondendo os indivíduos da Terra
A Superstição ajuda, tal como o amor -
A Ternura diminui à medida que a experimentamos.
Emily Dickinson

sábado, 11 de setembro de 2010

Laranja (Tom meio Gadú)

Da janela..
Ombros postos ao encosto de madeira e
o olhar fitando o céu.

E nas mazelas,
suspira a menina em, seu pranto
Emudecido pela beleza do azul.
Até parecem algodão, mas
são apenas nuvens. Ou,
mesmo são algodão.

Cousa essa, sem necessidade de nome
Que dá ao pensador seus melhores acalantos...
Cura as chagas de um simples,
“complexo” coração.
Faz da menina e janela, foto
Para cartão postal.

E lá se vai o tempo, as nuvens
correm com o vento, e o “laranja”
faz ficar um pouco mais.

Ao som de esperanças fica a moça, um pouco mais.
O breu toma conta e, emudece duma beleza, a menina
Da janela.

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

O Tic-tac das horas

E nessas horas em que o
tempo perdura em não passar,
Fecho meus olhos!
Vejo a escuridão,
ponteiros tortos no compasso do mesmo
Tic-tac.
O movimento pendular faz-me
adormecer com o doce gosto da calma.
Deixo-me serena a ponto de ter
os batimentos no mesmo tic-tac das horas.
Faço-me ponteiros tortos, passo pelo
tempo e deixo
passar!

sábado, 14 de agosto de 2010

que seja ALMA!

Falando das flores me lembrei que
Como uma rosa, posso ter os espinhos que vão te machucar.

Mesmo que a lágrima percorra tua face só por uma vez,
Eu vou te machucar!

E toda angústia causada, tão futilmente,
por nossas brigas, passará de gélida a hálito quente
como o suspirar de um bebê.
Você que não admite, eu que não aceito a omissão!

Meu devaneio faz-se de mim morada indeterminada.
Ao ver tantos livros, tantos poetas escrevendo um caso ao acaso,
lembrei que dói o meu peito por não ter aqui, e agora
aqueles que fizeram forte e ajudaram-me a escrever as melhores estrofes da minha história.
O fio da meada, o beat da beata, times and times.
Meus olhos que ardem afrontando o sono que pesa como o mundo em minhas costas.

O Achar demais, de coisas tão pequenas, engrandece aquilo que ora é o sopro nas narinas do homem, ora tão invisível e perceptível quanto o vento, que seja ALMA!

Falando das flores, senti Le Parfum
Da rosa que vestiu-se com o vermelho do teu sangue,
E mesmo que não sendo eu,

Te Machucou!

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Até o Acaso

Descobri que o Acaso
pode ser um ponto de encontro,
qualquer parte que me toca ou
o caminho que me leva
Até você!

Todas essas casualidades
tão silenciadas pela minha displicência
Traduzem o idioma do qual
poucas palavras aprendi.

Amor...

Batimentos já pela garganta,
o desequilíbrio que me toma e
a vontade de tornar o toque Real
Outra vez...

Meus movimentos perdem-se
por mera distração, no
Vão do tempo
Que já passou.
Se foi...
E agora?

Até o Acaso!