segunda-feira, 14 de junho de 2010

Notícias Populares

Gostaria de entender
Por que tudo é assim.
Por que a vida tira um sarro,
Por que os olhos congelam ao ver
Notícias Populares.


Elas vivem conosco, normalmente,
estão lá enquanto tomamos café.
- O Velho jornal em cima da mesa!

Minha prece, já apressada
se acaba antes mesmo que eu a termine.
Interrompo meu pensamento para
socorrer, a pobre menina que grita
ao entrar na Igreja...Dizendo: - Mamãe,
Mamãe, o padre...padre...soluçava!


São essas que voam pelos ares,
"Notícias Populares".


Enquanto tudo se acada em "Arruda",
Já não há mais defesa que acuda.
Aquela gente nas calçadas frias, será que dormem?
Ou será que seu sono é pra
enganar a dor que, pouco a pouco,
Mata?!


Já é normal falar...
Que o bom mesmo é roubar.
Todos fazem isso conosco e,
sobra-nos, somente, o asco!

Olho o noticiário, na tela
Pessoas brigando, mães chorando
padres pregando e também ...hun...(entreaspas).

Mato-me por não querer crer,
que já passou a ser normal.
Normal...Norma...Não Mais!
Meus queridos irmãos, pensadores
idealizadores de uma nova sociedade,
de um novo aprendizado.

Loucos! Isso que são! Loucos!

Enquanto os normais, meros normais!
Transformam a Pobreza em Rotina!
Falam mal da Argentina,
Fazem de Santo o Papa...
e cada vez tomam mais tapas.
Falam mal do Zé do Caroço,
tentam se fazer de Bom Moço.
E com isso a prece fica mais rápida,
Padre, João, Zé, Por todos Nós, God, Maria, Papa!
Já não aguento essa ladaínha.

Desligo a TV, apago o Noticiário
Boa Noite!

quarta-feira, 26 de maio de 2010

Uma Andorinha na Capa

Ah! Seria tudo tão melhor se tivesse
comigo, agora, algumas palavras da língua magiar.

Ter as expressões mais marcantes
daquelas faladas em Pest,
na casa 84.

Se as tivesse, húngaras, belas, brancas...
Poderia assim expressar meu
Amor por você.

Infelizmente o que me sobra
são alguns forintes que,
para utilidade nenhuma usarei.
Um maço de cigarros Feckse, com uma andorinha na foto.
Ela já está por se apagar!

Espero que não morra, mesmo que na caixa
Como deixei que morressem, lentamente, minhas esperanças.
Deixei-as em Budapeste e trouxe somente o sotaque!

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Cidade...

Olho a cidade à minha maneira,
Fones no ouvido, um pouco sorrateira.
A trilha sonora vai dando cor,
Percebo de tudo, mas sobressai a dor.


Aquela menina, mulata,
Entre o verde, o amarelo e vermelho.
Uma prata nas horas difíceis aplaca,
Revoltada, só restam os cacos do espelho.


Mãos trêmulas repentinamente,
O que acontece comigo?
Por hora deve de ser aquele garoto,
Que fez da escura escadaria seu abrigo!


Lucidez em meio ao caos não há,
Frieza, individualismo e mesquinhes
Pêndulos na garganta,
A sociedade não aprendeu amar!


O calor abrasa meus pensamentos,
Cerro os olhos para crer.
Esmola faz sobreviver?
Tento retrair o sofrimento.


Aquelas esquinas mais parecem uma Cruz,
Vejo o pai, o filho e um espírito que não é Santo!
Se Santo fosse,
Não haveriam tantas indagações!

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Ao Longo das Janelas Mortas

Ao longo das janelas mortas
Meu passo bate as calçadas.
Que estranho bate!... Será
Que a minha perna é de pau?
Ah, que esta vida é automática!
Estou exausto da gravitação dos astros!
Vou dar um tiro neste poema horrível!
Vou apitar chamando os guardas, os anjos, Nosso

[Senhor, as prostitutas, os mortos!
Venham ver a minha degradação,
A minha sede insaciável de não sei o quê,
As minhas rugas.
Tombai, estrelas de conta,
Lua falsa de papelão,
Manto bordado do céu!
Tombai, cobri com a santa inutilidade vossa
Esta carcaça miserável de sonho...

(Mário Quintana - 80 Anos de Poesia)

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Enfim, Vírgula e Tchau...

Desligo o telefone. São 18 horas.
Aperto stop, o tempo para.
Tento remover meus pensamentos, esvaziar a mente e não deixar sequer uma fresta.
Talvez a claridão cause dor.

Está escuro, trancado, vazio.
Pouco a pouco letras se destacam,
como querendo explicar minha dor,
reluzem embaralhadas.
Decifro meu anagrama: Desculpas.

Enfim, Vírgula e Tchau.

Aperto play para que a vida corra e minha sofreguidão suma.
Acabo com minha inércia moral.
Choro!

Tamanho é meu desengano que tento gritar mas não tenho voz.

Talvez pedir (ou dar) Desculpas não combine com minha personalidade, eu sei, mas é só!